9. TECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE 5.6.13

1. ADEUS AOS BALCONISTAS
2. AMEAA SUBTERRNEA

1. ADEUS AOS BALCONISTAS
Provador que encontra a roupa com melhor caimento e loja totalmente automatizada antecipam um futuro sem vendedores
Juliana Tiraboschi

CLIQUE E PAGUE - Tablet faz as vezes de vendedor e caixa em loja americana

Quem detesta as filas imensas das lojas de departamento ou se incomoda com vendedores inconvenientes, daqueles que ficam perseguindo os clientes pelas araras, vai gostar dessa novidade: as compras automatizadas. A loja Hointer, nos Estados Unidos,  pioneira em funcionar de forma completamente autnoma. O cliente entra e baixa um aplicativo para o celular. V as peas penduradas no teto, escolhe o que deseja experimentar, faz o pedido pelo app e o produto  entregue no provador. No serviu? Basta um clique para que o sistema envie outro tamanho. Gostou?  s passar o carto de crdito em um terminal automtico e levar a roupa nova para casa. Eu quis criar a loja do futuro combinando as vantagens da compra online com a possibilidade de tocar e experimentar os itens, diz Nadia Shouraboura, fundadora da Hointer, que j inaugurou duas lojas, uma no Vale do Silcio e outra em Seattle. 

 Outro bom exemplo de automao nas lojas  o Me-Ality, um escner que toma medidas do corpo do cliente e sugere as peas que tero o melhor caimento. Como bnus, a cliente no precisa dizer sua numerao em voz alta. A fundadora da empresa percebeu que as pessoas atrelam a autoestima ao nmero da etiqueta, diz Kathleen Funke, porta-voz da Me-Ality. Tem dado certo: pesquisa da empresa com seis mil clientes mostrou que 47% compraram itens recomendados pela mquina e 94% disseram que as peas caram bem. A empresa j tem mquinas em cinco lojas da Bloomingdales e em mais 20 shoppings nos EUA.

O Brasil ainda engatinha nesse campo, mas j abriga exemplos que mostram que o Pas no ficar de fora. A loja Billabong do Shopping Iguatemi Alphaville, em Barueri (SP), conta com espelho interativo, que projeta imagens das peas virtualmente sobre o corpo dos clientes, e um sensor nos provadores que identifica os produtos e mostra outras opes de tamanho. A rede de roupas Memove automatizou as compras em suas nove lojas em seis Estados. O cliente pode levar as peas ao terminal de autoatendimento, passar as etiquetas pelo leitor de cdigo de barras e efetuar o pagamento sem a ajuda de vendedores. Mas as mquinas no so capazes de tudo. Caso algo d errado, humanos estaro no servio de atendimento ao cliente.


2. AMEAA SUBTERRNEA
Considerado mais "limpo" e barato que outros combustveis fsseis, o gs de xisto desperta a simpatia de industriais e a ira dos ambientalistas, que alertam para o risco de contaminao das fontes de gua do planeta 
Ana Carolina Nunes

L FORA E AQUI - Enquanto britnicos exigem o fim do gs de xisto,  o Brasil deve intensificar a produo do mineral

A bastecido por torres de energia elica e painis solares, o discurso ecolgico  atropelado quando o dinheiro resolve falar mais alto. Ainda mais quando o dono das notas so os Estados Unidos.  procura de sadas energticas para contrabalanar o crescimento vigoroso principalmente da China, os americanos descobriram uma sada sob seus ps. Trata-se do shale gas, popularmente conhecido como gs de xisto, que ganhou viabilidade econmica graas  modernizao na tcnica para sua extrao. O mineral est provocando uma revoluo nos EUA. Tem vitaminado a economia e ajudado a trazer de volta empresas que haviam deixado o pas.

BURACO - A queda nas vendas de seu gs natural levou a Rssia a tambm explorar minas de xisto

Alm do governo americano, industriais de todo o mundo se animam com o custo at 60% inferior ao de fontes como o gs natural. De outro lado, ambientalistas alardeiam o risco ambiental. Antes, o problema era eminentemente estrangeiro, mas deve ganhar fora no Brasil. A Agncia Nacional do Petrleo (ANP) planeja para novembro um leilo para explorao de reas em bacias sedimentares terrestres. 

 Para extrair o gs, a tcnica mais moderna  o fraturamento hidrulico (fracking). Uma mistura de gs, areia e produtos qumicos sob presso  atirada sobre as rochas. O resultado so fraturas, por entre as quais escapa o produto. O destino da mistura qumica  o que desperta a ira dos ambientalistas. As rachaduras podem levar os componentes ao lenol fretico. Alm disso, segundo o coordenador da Campanha de Energias Renovveis do Greenpeace Brasil, Ricardo Baitelo, a produo do mineral tem como efeito colateral quantidades preocupantes de metano. Para completar a ficha suja do gs, sua extrao exige muita gua.

Professor e diretor da rea de energia e ambiente do Instituto de Geocincias da USP, Colombo Celso Gaeta Tassinari relativiza o lado vilo do mineral. Em tese, a tcnica do fraturamento no deve significar problemas ambientais, diz. Mas ele mesmo lembra que, por ser uma atividade relativamente nova, seria preciso mais tempo de pesquisas para que se encontre uma forma de extrao mais ambientalmente correta. 

 Muita gente no est interessada em esperar para saber se nossos lenis freticos correm risco ou no. O fracking tem motivado protestos contra a explorao do xisto. A Frana foi o primeiro pas a proibir a tcnica. Nos EUA, alguns Estados tambm a barraram. A luta  endossada por famosos, que criaram a campanha Artists Against Fracking, com participao de Paul McCartney e Yoko Ono, que provocou a fratura responsvel pelo fim dos Beatles. E essa  a nica rachadura permitida pelos adeptos da campanha.
